sábado, 10 de junho de 2017

Relato de um ser


        


Não sei o que fiz para passar por isso, não sei, que crime cometi para ser torturado e morto cruelmente, apenas pelo simples fato de estar vivo.


Tento de todas as formas me defender, apesar que a única defesa que me resta é apenas fugir...de um lugar impossível de fugir. E nesse momento minha única visão é do inferno. Vejo humanos com lanças, facas e punhais... e o ódio no coração.

E pergunto: Que crime cometi, deixem eu pelo menos tentar entender... que crime cometi? 

  Acabo de perder minha últimas forças em vão, minha vista está turva, e no meu paladar o sabor de meu próprio sangue. Agora vejo o ódio em vultos, porém ainda ódio... já não sinto o vento, o sol, só a maldade e  dor, muita dor... e quem se importa? Eles se divertem e eu estou morrendo aqui, é justo?

E sem resposta pergunto: alguém me responda por favor, que crime cometi? Ninguém responde, nos meus ouvidos só zumbidos e sons desagradáveis, entre aplausos, risadas sádicas e palavras de ódio direcionadas a mim... o que foi que eu fiz e onde está Deus?


Porque me abandonas-te aqui na mão de quem me odeia, me diz o que foi que eu fiz para sofrer tanto? Aqui já sinto minha morte... mas ainda estou tentando, no fundo sei que será em vão... mas ainda estou tentado, e pergunto, onde está Deus?

Por que me abandonaste? A resposta continua sendo apenas dor, muita dor.

 Me ajoelho sem forças em posição de submissão, não por minha vontade, mas pela vontade da falta de compaixão, piedade e principalmente pela maldade que hoje habita aqui.  Eles estão me matando, e cadê Deus?!

Por um momento perco minha respiração, sinto meus pulmões se encharcarem do meu sangue... meus órgãos genitais acabam de ser cortados... a dor já se faz parte integrante do meu ser, minhas orelhas a que me pertencem, já não são minhas, acabam de ser cortadas também. Já não consigo distinguir do que é corpo e do que é dor, meu rabo foi mutilado violentamente, sem que ao menos pudesse protegê-lo, pois esse fazia parte da minha morada chamada corpo.   
E nesse momento ardendo em dor, pergunto, Deus o senhor não está vendo tal covardia com seu filho?  Pai... o por quê me abandonaste, por que senhor?


O que eu  fiz de tão ruim para pagar um preço tão alto? Eu nunca fiz mal a ninguém a não ser me defender durante minha vida inteira de um mundo tão hostil que os homens pegaram pra si, e isso é justo?

            Sinto... minha hora está chegando, junto com a sensação de injustiça que abraça minha alma, e junto do abandono e da maldade daqueles que um dia pensei que queriam meu bem.  Agora já sem forças me deito, com meu corpo mutilado, como um manto, meu próprio sangue me acoberta, ele é o que me resta... meu próprio sangue!

Nesse momento sinto uma pontada mais forte, a dor fala sozinha sobre meu corpo... meus olhos escurecem de vez... sinto meu corpo formigando, acho que estou morrendo... essa é a sensação, acho que estou morrendo... e ainda sim me pergunto, onde está a compaixão e a misericórdia, daqueles que podem racionalizar?

Pois nesse últimos momentos só me ofereceram o ódio, a irá e o abandono... e nesse último suspiro como ser vivente, tenho direito de perguntar... onde está  Deus?

          Homenagem a todos os touros inocentes, mortos no mundo, em uma matança injustificável conhecidos como touradas, vaquejadas, e todo tipo linchamento conhecido como culturas,  costumes,  que desprezam a dor do próximo, à favor do sadismo,  que chamam de entretenimento.


Jota Caballero





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